Prevenindo o abandono ao veganismo: porque se sentir normal importa

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TRADUÇÃO

Título original: Preventing Ex-Vegans: Why Feeling “Normal” Matters

Esse é meu quarto e último (por enquanto) post sobre táticas para prevenir o abandono ao veganismo. Minhas ideias sobre esse assunto vem de diferentes tipos de evidências – incluindo pesquisas entre vegetarianos e veganos, assim como pesquisas no comportamento alimentar em geral.

Para resumir o que eu já escrevi anteriormente:

  • As pessoas, as vezes, deixam o veganismo (ou vegetarianismo) porque não mais acreditam nos seus benefício. Assim, exagerar os benefícios do veganismo, promover expectativas irreais ( como a ideia que você poderia envelhecer como uma super modelo) pode, definitivamente, produzir efeitos negativos no que se refere a encorar a adoção do veganismo no longo prazo.
  • Da mesma forma, ignorar as questões éticas pode ser um erro. Parece que as vezes temos medo de falar sobre isso, medo de assumir que, de fato, os animais importam. A verdade é que ética é uma abordagem mais honesta ao ativismo pelo veganismo e, provavelmente, uma que é mais efetiva no longo prazo.
  • Finalmente, enquanto nós queremos apresentar o veganismo como algo fácil, na verdade, acabamos por sabotá-lo, especialmente para novos veganos, quando não falamos falamos sobre importantes aspectos nutricionais.

Existem outras importantes questões que nós conhecemos, como dar suporte, especialmente com gentileza quando as pessoas estão tendo dificuldades com o veganismo. Nossa comunidade precisa prover um espaço seguro para pessoas admitirem quando elas cometem erros ou escolhem alternativas não-veganas. Nós precisamos valorizar o esforço e as intenções mesmo quando a perfeição (seja lá o que isso significa) é inatingível, para respeitar os desafios que cada pessoa encara, e deixá-los prosseguir no seu próprio ritmo.
Mas, a última coisa que quero discutir, na verdade tem um amplo alcance no que se refere a encorar as pessoas no veganismo. Isso é a importância de fazer o veganismo ser experimentado como algo “normal”.

Um estudo da Conbell University chamado ““Who We Are and How We Eat: A Qualitative Study of Identities in Food Choice”, abordou essa questão. Os pesquisadores descobriram que muitas pessoas (não-vegetarianas) expressaram um desejo por ver seus hábitos alimentares como “normais”, ao invés de “radicais”. Isso é importante para nossa defesa do veganismo porque, pesquisas com ex-vegetarianos mostraram que muitos não gostavam de se sentir “excêntricos”.

Nós veganos comemos (e vivemos) de uma forma que é muito diferente do resto da população. Para muitos de nós, isso não é um grande problema. Para aqueles que valorizam se sentir normais, isso pode gerar considerável desconforto dado o estilo de vida vegano. Nós não podemos mudar o desejo por se sentir normal, mas nós podemos tomar medidas para “normalizar” o veganismo.

Uma dessas maneiras é prover mais opções veganas que mimetizem alimentos tradicionais. A indústria alimentícia tem feito um trabalho memorável nesse campo, e as opções estão se tornando cada vez melhores e variadas. Queijos veganos e carnes são bem melhores hoje que foram há dez anos atrás. Também é mais fácil encontrar opções veganas em grandes lojas convencionais, e isso é algo que os ativistas veganos deveriam apoiar.

Eu sou constantemente criticado pela minha postura quanto as carnes veganas, já que afirmo não ver problema em consumi-las. Recentemente, uma leitora do blog me disse que existem “junk foods” que são “piores que carne” (como ela recentemente havia aprendido num curso online sobre nutrição vegetal)

Eu entendo que evitar esses alimentos é uma importante parte de algumas filosofias alimentares dietéticas. Mas nutrição não é uma filosofia, é uma ciência. Eu não conheço nenhuma evidência que algumas porções de carnes veganas por semana farão algum mal a sua saúde.

E isso não é apenas sobre conveniência. Além do benefício que esses alimentos trazem à dieta vegana, é igualmente importante que, esses e outros alimentos podem fazer do veganismo algo mais social e psicologicamente confortável para algumas pessoas. Pode fazer com que sintamos que foi algo com que crescemos. Eles permitem que veganos comem em restaurantes com seus amigos sem ter que pedir ao garçom por algo especial, algo que os poderia fazer sentir excêntricos e desconfortáveis.

Nós sabemos que o veganismo não é sobre nós. E um pouco de desconforto da nossa parte não deveria ser um enorme problema, dado o que os animais passam todos os dias. Mas precisamos ser realistas. Se tornar vegano é um grande desafio para muitas pessoas. Não é apenas sobre aprender a gostar de novas comidas e desistir das suas favoritas. É sobre escolher um caminho que nos coloca fora do âmbito social. Dependendo de quem você é, onde vive, seus círculos sociais, pode ser algo totalmente alienante*.

O que nós realmente queremos, é claro, é que o veganismo se torne a norma, não a exceção. Mas até que isso aconteça, fazer com que se pareça normal pode ser o que é necessário para ajudar algumas pessoas a se tornar e permanecer veganas.

 

* Alienante no sentido de socialmente dissociativo, ou seja, torna você um alienígena dentro do seu mundo.

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Coisas simples que qualquer pessoa pode fazer para veganizar o mundo

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1. Faça ao menos uma refeição principal vegana por dia

Isso pode significar um corte de até 25% (ou mais) no seu consumo de produtos de origem animal! Pode parecer pouco, mas já é um grande começo. Intuitivamente você será levado a comprar menos produtos de origem animal, enquanto prefere por produtos veganos, sejam alimentos integrais frescos ou os chamados “alternativos”, como salsichas, queijos, maioneses e bifes vegetais. Confira alguns exemplos aqui. Em larga escala, essa prática pode mudar toda cadeia de produção de alimentos. E isso acontece o tempo todo!

2. Peça algo propositalmente vegano ao comer fora

Assim como o que você come em casa, tão importante é o que você come na rua, as vezes até mais importante. Essa é uma decisão que demanda um pouco mais de planejamento. Você pode fazer opções veganas triviais como milho e tapioca para um lanche. Essas escolhas são importantes, mas você também pode veganizar nos principais restaurantes, lanchonetes, redes de fast-food, etc. basta conhecer o menu ou fazer adaptações. Faça dessas escolhas algo expressivo, priorize opções propositalmente veganas em detrimento das acidentais. Outras dicas a seguir podem reforçar o valor desse momento.

3. Compre produtos de empresas comprometidas com o veganismo

Muitos produtos são chamados de “acidentalmente veganos”, são aqueles que por mero acaso não possuem ingredientes de origem animal na composição. Seus fabricantes geralmente não possuem qualquer compromisso com a ética e com a difusão do veganismo. De outro lado, temos empresas que criam produtos veganos tendo consicência da importância desse mercado, e outras, inclusive, têm um compromisso ético e com a promoção do veganismo, financiando eventos, materiais informativos, publicações, etc.

4. Utilize a avaliação nas redes sociais

Foursquare, Trip Advisor, Google+ e o próprio Facebook através das fanpages, entre outras redes sociais, são ferramentas extremamente eficientes – geralmente subestimadas pelos consumidores – para se comunicar com a empresa e fazer suas demandas. Sempre que possível, visite a página do estabelecimento nessas redes sociais (se existir, é claro) e faça uma avaliação com comentários que reforcem boas práticas e críticas construtivas. Evite utilizar canais de SAC, por email e formulários no site da empresa, muitas vezes esses serviços possuem falhas ou estão simplesmente abandonados, técnicas e suas palavras podem nunca ser lidas. As dicas do tópico a seguir podem ajudar sobre o que falar.

5. Deixe um bilhete

Muitos estabelecimentos possuem formulários para que os clientes possam fazer uma avaliação do serviço, críticas e sugestões. Através deles você pode fazer diversas recomendações:

  • Modificações nos pratos para torná-los uma opção vegana
  • Modificações no menu indicando as opções veganas
  • Identificar as opções veganas no buffet
  • Recomendar que os atendentes/funcionários sejam treinados para atender o público vegetariano
  • Questionar o preço cobrado pelas opções veganas, que geralmente são mais caras, menos tendo menor custo de matéria prima e preparação.
  • Pedir para que o menu de opções veganas seja ampliado
  • Sugerir produtos veganos que normalmente são esquecidos, como sorvetes, sobremesas, etc.
  • Sugerir opções veganas que podem agradar um público maior, como alérgicos e intolerantes à lactose.
  • Sugerir que o estabelecimento procure firmar convênio com ONGs veganas, e outras instituições que fomentem esse mercado, como a SVB.

Na verdade, se você for vegetariano, apenas por manifestar sua existência, já poderá influenciar o estabelecimento de alguma forma.

6. Converse com o gerente

Gerentes muitas vezes são os mais solícitos a ouvir os clientes e entender suas demandas. Se você tiver essa oportunidade, converse com o gerente sobre algumas das observações citadas acima, tendendo encontrar soluções e ouvindo o que ele já tem a dizer sobre o assunto. Poderá ficar surpreso com a recepção!

7. Não seja invisível

Faça escolhas que revelem quem você é. Entenda aqui.

Essas são apenas algumas ideias simples que podemos colocar em prática com pouco esforço. Que outras ideias você tem? Compartilhe com a gente!

 

Crédito da foto: Henry Schimke

Não seja invisível

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Já imaginou chegar em um lugar e ninguém te reconher, não saber quem você é, sua identidade? Muitos vegetarianos e reducitarianos* conseguem realizar esse passe de mágica. Como? Bem, através de suas escolhas. Seu comportamento pode torná-lo invisível!

Veganos tendem a acreditar que suas escolhas sempre ajudam a reduzir a exploração animal e promover o veganismo. Mas isso é um pouco mais complexo. Ao sair, por exemplo, em um estabelecimento que não oferece praticamente nenhuma opção vegana, muitos pedem apenas batatas fritas ou um suco. Essas escolhas praticamente não são significativas, de tal forma que possam contribuir para a promoção do veganismo, é apenas mais um cliente que pediu um tira gosto!

Alguns vegetarianos que ainda consomem derivados, como leite e ovos, tendem a acreditar, por sua vez, que suas escolhas são de baixo impacto, e de alguma forma promovem opções vegetarias e o não-consumo de carnes. Isso também é um pouco mais complexo. Ao ir numa pizzaria, por exemplo, e pedir uma pizza de quatro-queijos, você nada mais será que um outro cliente que pediu uma pizza de quatro-queijos. Ninguém imaginará que você é vegetariano, nem suas preocupações.

Reducitarianos, costumam reclamar sobre quão difícil é encontrar opções veganas no mercado, restaurantes, etc. e por isso acabam sendo “constrangidos” a consumir produtos de origem animal. Contudo, alguns dos seus hábitos acabam por reforçar essa falta de opções. Por exemplo, muitos preferem fazer maior parte de suas refeições veganas em casa, e consumir carnes e derivados ao comer fora.

Esses são apenas alguns exemplos para nos fazer pensar. Existem inúmeras outras situações em que nos tornamos invisíveis, apesar de acreditarmos que estamos fazendo algo útil. O que você acha? Em que outras situações você acha que nos tornamos invisíveis e que alternativas nós temos?

*Reducitariano – alguém que decide reduzir expressivamente seu consumo de produtos de origem animal, mas não excluí-los totalmente.

A importância da informação certa

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Na sociedade de hoje em dia, parece que se não és quem grita mais alto, não és ouvido. Uma vez que as vozes moderadas são frequentemente abafadas, pode parecer que é necessário fazeres afirmações fantásticas com o fim de promoveres a tua causa.

Há uma tendência natural para a aceitação pouco criteriosa das afirmações nas quais queremos acreditar. Contudo, a longo prazo, eu acredito que isto faz mais mal do que bem, porque perdemos o apoio de pessoas que acabam por perceber que não somos imparciais, e perdemos hipóteses de convencer pessoas que são intrinsecamente cépticas. Além disso, a maior parte das pessoas está à procura de alguma razão para nos rejeitar. Assim, é de vital importância que apresentemos informação que o público não considere absurda e de fontes que ele não rejeite como parciais.

Para ler o texto completo clique aqui.

Crédito da foto: luigi ragaglia

Racionalizando o consumo, pensando em indivíduos

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Para os activistas pelos animais de quinta, o que realmente interessa não é a quantidade de carne que é consumida mas o número de animais que são magoados e a quantidade de sofrimento causado. Os esforços de divulgação do nosso movimento, no entanto, estão baseados maioritariamente na ilusória mesa de jantar: nós tendemos a direcionar os nossos recursos de acordo com a regularidade com que os animais são consumidos e não de acordo com quantos são consumidos.

Leia o texto completo aqui.

Crédito da foto: BobMacInnes

ISSO É VEGANO? – Ingredientes Vs. Resultados

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Por Matt Ball, co-fundador da Vegan Outreach

Quando eu comecei a envolver-me nos direitos dos animais por volta de 1990, a pergunta “Quão vegano?” tinha uma resposta simples – ou algo é vegano ou não é. A maneira de saber isso era comparando todos os ingredientes de cada produto com listas de todos os produtos animais possíveis. Esta lista acabou por se tornar um livro, Ingredientes Animais de A a Z, que durante muitos anos foi o livro mais vendido no site Vegan.com.
Este modo simples de definir o “bom” e o “mau” atraiu muitos de nós porque era tão claro. Mas mesmo antes de a lista começar a transformar-se numa enciclopédia, ela já era inconsistente. A produção de mel mata alguns insectos, mas conduzir (e por vezes até andar a pé) também. Muitos sabões contêm estearatos, mas os pneus dos carros e das bicicletas contêm produtos animais similares. Algum açúcar é processado com carvão animal, mas também o é muita água municipal. E adicionar o “não testado em animais” à definição de veganismo acrescentou todo um novo nível de complexidade.
Contudo, pode ser difícil abandonar um conjunto de regras preto no branco. Ao longo dos anos, as pessoas adicionaram “excepções”, definições de “necessidade”, ou declarações de “intenção” para salvarem a abordagem da lista interminável. Mas tentar ter-se uma definição rígida de o que é “vegano” é, em última análise, arbitrário. Na produção de vegetais biológicos usa-se frequentemente estrume; a produção de alimentos “veganicos” fere e mata animais durante a plantação, colheita e transporte.

Leia todo o texto aqui.

Publicação original: AVP
Tradução: Nuno Metello
Foto por: Geraint Rowland